A força que gera a vida é indivisível e indistinguível, portanto não podemos compreendê-la racionalmente, apenas senti-la no estado profundo de silêncio interior. O Dào tem como manifestação o Qì (energia vital), que forma o Universo. Da onda mais sutil à matéria mais densa, tudo é Qì, apenas variando a sua vibração. O Qì tem dois aspectos ou pólos: Yin e Yang. Tudo é formado e mantido a partir da interação entre Yin e Yang, as duas forças opostas e complementares que representam o feminino e masculino, o escuro e o claro, o fraco e o forte, etc. Nada existe sem o seu oposto, pois em cada pólo está contida a semente do outro pólo. Foi observado ainda que Yin e Yang estão em constante mutação, sempre se transformando um no outro em um ciclo ordenado. Esse ciclo foi dividido em cinco fases, sendo representado por: água (repouso, yin), madeira (exteriorização, yang surgindo no yin), fogo (elevação, yang), terra (transformação), metal (interiorização, yin surgindo do yang). Cada fenômeno do universo pode ser classificado de acordo com os cinco elementos, como as estações do ano, os sabores, as cores, nossas emoções, etc. Do estudo da interação entre essas forças para haver o equilíbrio, nasceram as artes taoístas como a Medicina Chinesa, Feng Shui, I Ching, artes-marciais, pintura, etc. Nota-se então que no cultivo do Dào, o sagrado, o científico e as artes andam lado a lado, sempre com o propósito da realização do Caminho Uno. Existe uma classificação em termos de Taoísmo religioso (Dào jiào 道教) e Taoísmo filosófico (Dào jiā 道家). O Taoísmo religioso apresenta todas as características de uma doutrina religiosa, com seus cultos e práticas transcendentais. Já o Taoísmo filosófico engloba os ensinamentos de mestres como Lǎozi e Zhuāngzǐ e a sua prática independe da religião. Pode ser encarado como uma arte: a de fluir livremente com a vida. Muitas pessoas das mais variadas religiões adotam-no em suas vidas sem qualquer dilema. O Dào remete à liberdade. Dogmas e conceitos vêm do homem, não do Dào. Ele é infinito, é a potência de todas as coisas. O Dào nos abriga em seu vazio, enquanto nós criamos mentalmente as dúvidas e incertezas, que são o reflexo das respostas em nossas próprias mentes. A principal obra taoísta é o Dào Dé Jīng (Tao Te Ching), escrito por Lǎozi. É um livro relativamente curto, com 81 versos, expondo de forma poética a visão desse grande mestre. Há outras obras interessantes para estudo, sendo que o principal não é o conhecimento intelectual, e sim a prática do Dào no dia-a-dia, integrando o nosso ser ao fluxo natural. Com simplicidade e naturalidade, nos conscientizamos de que o Dào não está distante - é a nossa própria natureza. Não precisamos procurar, basta abandonarmos as ideias que nos separam dele e nos fundirmos à nossa origem. Marco Moura |